“O Vivido e o Inventado é um disco afirmativo, íntegro, coerente. Que deixa forte impressão( digital e afetiva ) da história de um artista. Um disco cheio de personalidade, mas sem fronteiras. De quem tem consciência de onde está pisando. E sabe que na arte, não raro, menos é mais.” (Israel do Vale, para o jornal O Tempo, MG)
“Genuíno artista brasileiro, de Pernambuco, mas radicado em Minas Gerais, Kiko Klaus tem sido considerado como um dos mais promissores artistas da cena musical brasileira. Dono de grande voz e estilo único, mistura organicamente raízes afro-brasileiras como maracatu, ciranda, samba e percussões utilizadas nos terreiros de Umbanda e Candomblé, ao flamenco, rock, soul e eletrônica. O resultado final não poderia ser melhor.” (Jorge Laendro Rodrigues para a revista Dig This Real, NY)
Radicado em Belo Horizonte desde 2002, o cantor, compositor e produtor musical pernambucano Kiko Klaus vem se firmando como um dos mais promissores artistas da cena musical mineira e nacional. Lançou em outubro de 2008 seu primeiro CD solo, O Vivido e o Inventado, recebendo importantes elogios da critica nacional e internacional. O jornal O Estado de São Paulo selecionou como um dos 15 melhores lançamentos do ano. O Globo e a revista Rolling Stone Brasil também deram suas melhores cotações. A revista nova-iorquina Dig This Real( www.digthisreal.com ) aponta o artista como uma dos mais criativos da nova cena brasileira, dono de estilo único e grande voz. O portal norte americano www.afropop.org mostra Klaus como uma das novas revelações da música brasileira. Em setembro de 2009 a turnê do disco estreou em Chicago, no World Music Festival: Chicago 2009, fazendo 3 shows memoráveis ; e em Nova Iorque, no conceituado Joe’s Pub, também com platéia em total sintonia.
Trabalhou com artistas como Naná Vasconcelos, Lenine, Nação Zumbi, Arto Lindsay, Marcos Suzano, Mestre Salustiano, Mundo Livre S/A, Marina Machado, Kristoff Silva e por dois anos seguidos com a banda espanhola Ojos de Brujo ( Grammy Latino 2007 e prêmios BBC em 2003 e 2004 ). Em 2005, numa parceria com o guitarrista e produtor musical colombiano Carlos Jaramillo, lançou o também elogiado CD Mesmalua, fazendo shows por capitais brasileiras e Europa. Recebeu diversos prêmios e indicações por suas trilhas sonoras produzidas para grupos mineiros de dança contemporânea, destacando-se as dos espetáculos “Sem Lugar”, do grupo Primeiro Ato, “Entre o Silêncio e a Palavra” e “Coisa de Dentro”, do grupo Meia Ponta e “Imagens Desocadas”, do coletivo Movasse.
Graduou-se em canto pelo Musicians Institute, em Los Angeles - CA, em 1996. Voltando ao Brasil criou com três sócios o estúdio Fábrica, em Recife - PE, onde permaneceu sócio por quatro anos e que ainda hoje é referência de qualidade no nordeste. Foi produtor musical, do CD/Livro Cravos na Janela 300 anos de Canção Brasileira, projeto da pesquisadora Mara de Aquino, lançado em 2006, com interpretações de Sérgio Santos, Ná Ozzetti, Vander Lee, Marku Ribas, Regina Souza, Pereira da Viola, Titane, Ladston do Nascimento, Nailor Proveta, entre outros.
Discografia
O VIVIDO E O INVENTADO (2008 – primeiro álbum solo)
- Produzido por Kiko Klaus
MESMALUA (2005 – em parceria com o guitarrista/produtor colombiano Carlos Jaramillo)
- Produzido por Kiko Klaus and Carlos Jaramillo
ENTRE O SILÊNCIO E A PALAVRA (2006 – trilha sonora para dança contemporâneas em parceria com o guitarrista/produtor colombiano Carlos Jaramillo)
- Produzido por Kiko Klaus and Carlos Jaramillo
Links:
www.myspace.com/kikoklaus3
www.kikoklaus.com.br
www.mymondomix.com/kikoklaus
Contatos:
kikoklaus@yahoo.com.br
flamafra@gmail.com
5531-8567-0306
5531-3296-5322
Na minha família não havia músico, portanto minha jornada foi inicialmente solitária, mas nem por isso menos instigante. Ouvia de tudo, principalmente rádio e gostava de Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Tom Jobim, Roberto Carlos, Michael Jackson, Stevie Wonder, Gilberto Gil, Elis, Gonzaguinha, Milton Nascimento, Tim Maia, João Bosco, Gal, Bethânia...
A partir dos 17 anos, comecei a estudar administração de empresas em São Paulo e depois Recife, quase me formando na UFPE, mas naquele ponto a música já dominava meu coração, pensamentos e minhas principais motivações. Saí da faculdade e fui para os Estados Unidos, estudar música, com especialização em canto, no Musicians Institute, em Los Angeles – CA. Lá, conheci músicos do mundo todo e formei uma banda chamada Mesmalua, que tinha baixista espanhol, guitarrista colombiano, baterista americano e eu. Após a graduação, fomos os quatro viver em Barcelona, num apartamento emblemático. Ficava na Calle Esudellers, onde havia apartamentos velhos e baratos para alugar. Havia sido um prostíbulo décadas antes e por isso tinha 14 quartos. Lá moravam 16 pessoas no ano em que fiquei, todos músicos. Estar no meio deste caos, foi um dos momentos mais ricos e importantes de minha formação musical. De lá saíram bandas que vieram a ser e continuam sendo protagonistas da nova cena musical espanhola. Ojos de Brujo, Macaco, Amparanóia, Dusminguet, todas nascidas ali.
No final dessa estada na Espanha, voltei para Recife ávido por redescobrir a cultura popular. Era o auge do Manguebit, ou Manguebeat, como os gringos preferem chamar. Montei a banda Capitão Severo e em seguida, com três sócios, fundei o estúdio Fábrica, ainda hoje importante pólo de produção musical em Pernambuco. Lá pude experimentar e me aprofundar como músico, técnico de áudio e produtor musical, trabalhando com artistas como Naná Vasconcelos, Nação Zumbi, Alceu Valença, Lenine, Cordel do Fogo Encantado, Mundo Livre SA, Mestre Salustiano, Arto Lindsay e muitos outros.
Me mudei para Belo Horizonte em 2002, mas vinha constantemente à cidade desde 2000. Fui gostando do jeito do povo, sendo seduzido pelo magnetismo das montanhas, trabalhos bacanas foram aparecendo, até que recebi o convite do grupo de dança contemporânea Primeiro Ato, através do coreógrafo Tuca Pinheiro, para fazer a direção musical e compor a trilha sonora do espetáculo “Sem Lugar”, baseado na obra de Carlos Drummond de Andrade e comemorando seu centenário. Eu que já era fã, tive ali a oportunidade de me aprofundar mais no universo do poeta. Foi um trabalho muito importante em minha carreira, que me deu vários prêmios e projeção na cidade.
Curiosamente, na semana em que minha mudança chegou a BH, fui convidado pela banda espanhola Ojos de Brujo para excursionar com eles pela Europa como técnico de som principal. Deixei a mudança toda empacotada e fui novamente para a Espanha. Foram várias e longas turnês, mas sempre arranjava um jeito de a cada 3 meses voltar a Belo Horizonte. Depois da terceira turnê, comuniquei ao grupo que meu tempo com eles estava terminando, visto que meu objetivo era me dedicar à minha carreira, produzir meu disco e com a quantidade de shows que faziam seria impossível.
O Ojos de Brujo tinha como baixista e criador do grupo Juanlu Leprevost, o mesmo baixista da minha extinta banda Mesmalua e quem produziu os dois primeiros discos do grupo foi o guitarrista colombiano Carlos Jaramillo. Carlos havia sido o guitarrista da Mesmalua e se preparava para produzir seu trabalho autoral. Quando nos reencontramos, percebemos que estávamos em momentos semelhantes, que havia muita identificação musical e que seria perfeito somarmos nossos projetos pessoais em um só projeto. Dessa reunião nasceu o projeto/CD Mesmalua, lançado em 2005 por Carlos Jaramillo e eu. Fizemos o show desse projeto em diversas cidades brasileiras e Europa.
"O Vivido e o Inventado" é meu quarto disco autoral. O primeiro foi da banda Bruxa Verde, que tive em Recife antes de vir para Belo Horizonte. Teve participação em várias canções do meu amigo querido, Naná Vasconcelos, com sua percussão visual e orgânica. O segundo foi Mesmalua, lançado em 2005, em parceria com Carlos Jaramillo, guitarrista, engenheiro de som e produtor musical colombiano radicado em Barcelona, cidade com grande impacto em minha trajetória. Morei duas longas temporadas na Espanha e cada uma delas teve importância essencial em minha múscia.
Obra em progresso...
Por Antonio Carlos Miguel
( Crítico musical do jornal O Globo)
Kiko Klaus + Carlos Jaramillo mostram ter encontrado a resposta em “Mesmalua”, um disco que esbanja identidade, frescor e também um apurado padrão musical e técnico. Ou seja, em sua estréia, o duo pernambucano-colombiano parece unir o melhor de muitos mundos.
O currículo dos dois, que se conheceram em Los Angeles, onde estudaram música, acumulando depois trabalhos nos EUA e na Europa, explica em parte o resultado musical conseguido agora em “Mesmalua”. Mas essa experiência e a contribuição de músicos identificados com o projeto da dupla – incluindo instrumentistas de uma das bandas espanholas de maior sucesso no momento, Macaco, e também o percussionista brasileiro Marcos Suzano – não são suficientes para garantir um bom disco. O segredo está no repertório mostrado. Independentemente dos rótulos, do perfeito acabamento sonoro temos aqui uma rica safra de canções. Belos e inventivos sons e poesia sob o mesmo sol, a mesma lua.
Klaus (também bom cantor) assina as dez canções de “Mesmalua”, algumas com Jaramillo, outras com diferentes parceiros, mostrando habilidade para injetar novidade em gêneros mais do que batidos.
Na abertura do disco, “Partida” é um samba cheio de quebras inesperadas, que resulta em irresistível ginga, perfeito cartão de visitas e intenções da dupla.
Em seguida, “Uma vela” é uma neobossa urbanóide, com letra que, sem cair no panfleto, fotografa poeticamente a miséria social das nossas grandes cidades: “Mas que caridade / pode criar a menina triste do sinal? / A calçada, os paralelepípedos / Os bares, os trilhos / São meus, mas são dela / (...) Lá se vai a vida / Não se leva nada / Fora a verdade / Que está perdida”.
Há também “Avenida”, um híbrido maracatu-rock de pulsação urgente, em letra igualmente urbana.
Ou a cativante bossa pop “Mesmalua”, na qual o violão de Klaus é comentado pela guitarra de Jaramillo, enquanto baixo e percussão armam deliciosa cama, e a letra cita no fim um clássico de João Donato e Gilberto Gil: “Beira do mar / Lugar comum”.
Assim como o samba “A flor”, que capricha no sincopado para contar a história de um daqueles amores surpreendentes: “Que eu sonhava sem saber / Que meu sonho era realidade / Mas quando sonhava queria dizer / Te amo / Mesmo sem saber teu nome”.
Bons exemplos não faltam, e a balada viajante “Isaura” é mais um; nela o poeta entrega os pontos e usa disso como mais um artifício de sua cantada: “Teria que apagar tudo / Nem candeeiro, nem vela / De muito longe poderiam revelar / Tua aura, Isaura dos desejos mais loucos / Das cartas marítimas do meu corpo / Se provo do teu olhar”.
Como os versos acima, esse release é tentativa de transmitir em texto o que as canções de “Mesmalua” nos proporcionam. Afinal, como o músico e inventor suíço-baiano Walter Smetak sintetizou numa frase, “Falar sobre música é uma besteira, fazer é uma loucura!” E desse fazer Klaus + Jaramillo entendem de sobra. Que outros ouvidos, corações e mentes abertos possam sentir também.





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